Foi num domingo, lá na casa da minha mãe que eu ganhei o primeiro beijo demorado do Bubu.
Fofucho, Gi e Fábio estavam felizes da vida, finalmente pegando a última leva de roupas e se mudando para a tão esperada casa nova.
Minha irmã chegou e eu já me coloquei a chorar. Um filme passou na minha mente... de todas as vezes que nos separamos e nos juntamos, e essa história é repetida para nós três: eu, minha irmã e minha mãe.
Primeiro ficamos sozinhas (unidas) quando minha mãe ficou solteira. Então, fomos morar nós três com meus avós lindos, num quarto nosso. Esse quarto foi mudando de lugar na casa, mas estávamos sempre lá com as 3 caminhas.
Aí mudamos de casa, no mesmo terreno mas para a casa mais nova. De novo, as 3 caminhas se mudaram com a gente. Mudamos de quarto, reduzimos a cama em uma treliche. Unidas de novo.
Depois de 20 anos, mudamos de casa. Um quarto para cada uma, pela primeira vez. Ficamos pouco tempo lá. Minha irmã se casou e foi para a casa só dela.
Depois, eu me juntei e fui para a casa só minha e com isso minha mãe teve pela primeira vez, uma casa só dela também.
Minha mãe foi para Fortaleza fazer outra casa.
Nasceu o Bruno e minha mãe achou impossível ficar longe daquele sorriso fofo. Voltou.
Veio morar comigo, e nessa altura da vida a casa já era só minha.
Passou um tempo e nos unimos novamente. Minha mãe voltou pra casa dela, junto com a minha irmã, o fofucho, o Fá e eu. 3 meses de acampamento, sapateiras de caixa de papelão, café da manhã reunidos, brincadeiras com o Bubu, guerra de travesseiros. Uma diversão. 3 meses juntos novamente. Família.
Ai minha irmã vai pra casa nova? Como assim? Lágrimas nos olhos, muitas.
Sentei no chão, vendo eles carregando as malas, as roupas, os brinquedos, os sapatos... meu sobrinho lindo chegou, me olhou com aquela cara linda e disse: "Dinda, vai chorar de novo?!".
Eu nem sei se ele me viu chorar antes naquele dia, mas ali ele estava na mesma altura que a minha, me olhando fofamente e virando o rostinho daquele jeito.
Voltei a chorar e a rir ao mesmo tempo. Pra completar ele volta e fala "Não chora, hoje é dia de alegria.". Quem foi que ensinou esse garotinho de 2 anos e meio a entender as coisas dessa forma e a falar assim com a tia dele?
Pra dar tchau, tem a chantagem do beijo. Como ele sabe que a tia-dinda é beijoqueira e tem espírito "felícia" ele vive se esquivando. Eu invento desculpas do tipo não durmo sem seu beijinho, viro estátua e vem me salvar, um beijo pelamordedeus.
- Bruno, então dá um beijo na dindinha que eu paro de chorar. Prometo.
Ele foi e deu um beijo na vó dele, junto com um abraço com aqueles braços gordinhos.
Vira pra mim, na minha altura, empina o bumbum e me dá um beijo. Um beijo demorado. Nunca consegui um beijo desse antes. Ficou com o rostinho lindo na minha bochecha um tempão fazendo barulhinho de beijo e me desmontou. Eu achava que ele ia parar mas ele estava lá dando um beijo bochechudo na dindinha, expontaneamente.
Desmontei. Parei de chorar. Meu espírito felícia queria agarrá-lo, encher de beijocas na barriga, na bochecha e no cangote. Me segurei muito, mas consegui ficar olhando aquele fofucho dar tchau pra gente, com sua cara linda e seu coração de ouro.
Bubu, te amo!
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